Por Carolina Herszenhut
Para quem não sabe, sou fã do Zerbini, na minha opinião um dos nossos maiores pintores vivos.
Dito isso, é fácil entender por que vou a todas as suas exposições, e não seria diferente com a que está em cartaz no Tomie Ohtake, aqui em São Paulo.
Mas há algo de novo nessa exposição que eu já queria ver há muito tempo. Alguns anos atrás, a Casa Roberto Marinho, no Rio, fez uma mostra sobre livros de artista. Tinha coisas maravilhosas, mas nada me chamou mais atenção do que o livro do Zerbini: um livro de quase um metro, feito com monotipias. Aquela imagem ficou na minha mente como um desses registros que nunca saem.
Zerbini no Tomie Ohtake é uma exposição de monotipias botânicas. Para quem não conhece a técnica: a monotipia botânica é um processo de impressão em que folhas, flores e ramos são usados como matrizes. A tinta é aplicada diretamente sobre a planta, que em seguida é pressionada contra um suporte, como papel ou tecido. Como o nome sugere, cada impressão gera uma cópia única e exclusiva.
Isso já seria lindo o suficiente. Mas some a isso o fato de que parte da exposição foi feita em Inhotim, com plantas coletadas no jardim mais bonito e mais diverso do país.
Além das obras, porém, algo me chamou atenção: em um dos vídeos, Zerbini fala sobre a beleza dos erros e da imprevisibilidade. Ele conta como não controla o resultado final das monotipias, a planta, a pressão, a tinta, tudo isso decide junto com ele o que vai aparecer no papel. E é justamente aí que mora a beleza: no que escapa ao controle.
Num mundo em que buscamos acertos todos os dias, em que planejamos, otimizamos e mal suportamos o incerto, ver alguém construir beleza a partir daquilo que não pode prever me tocou mais do que eu imaginava. Talvez porque seja um lembrete de que nem tudo precisa ser controlado para ser bonito, às vezes é exatamente o contrário.
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