Granatapfel: o mural que semeia resistência em Viena

Priscila Barbosa, artista representada pela Aborda, transforma a romã em metáfora de autonomia feminina no Ali Juus Bar

No mural Granatapfel, realizado na fachada do Ali Juus Bar, em Viena, a artista brasileira Priscila Barbosa mais uma vez tensiona narrativas estabelecidas para instaurar outras possibilidades de olhar — sobre o corpo, a natureza, a luta e a potência criativa das mulheres. Convidada pelo espaço austríaco dedicado à produção de sucos naturais, Barbosa dialoga com o universo do bar: suas frutas, seus fluxos, suas energias. Mas, como é característico de sua obra, esse diálogo ganha densidade simbólica e política.

Granatapfel. Foto: Priscila Barbosa
Granatapfel. Foto: Priscila Barbosa

Em idiomas como o francês e o inglês, romã e granada compartilham o mesmo nome: grenade.

A romã — granatapfel, em alemão — é o centro do mural e da metáfora. Colhida pelas mãos de uma figura feminina mascarada, em postura de ataque, a fruta passa a operar como signo ambíguo: ao mesmo tempo arma e semente, explosão e fecundidade. Em idiomas como o francês e o inglês, romã e granada compartilham o mesmo nome: grenade. A artista mobiliza esse duplo sentido para articular um trocadilho visual que desloca a lógica destrutiva da guerra e da violência para um gesto de criação, fertilidade e afirmação de futuro. A granada que explodiria se transforma, aqui, na romã que fecunda.

A personagem central,  uma mulher de corpo nu, proporções reais e presença ativa, carrega no rosto o lenço verde, símbolo das lutas feministas na América Latina, sobretudo em defesa dos direitos sexuais e reprodutivos. Esse detalhe reorienta toda a leitura da imagem: trata-se de um corpo que age, que enfrenta, que planta e colhe sua própria narrativa. A heroína de Granatapfel não pertence à mitologia greco-romana, mas à história insurgente das mulheres latino-americanas. É também nesse gesto que a artista convoca a tradição pictórica europeia — especialmente as representações neoclássicas de figuras femininas idealizadas — para questioná-la e reescrevê-la a partir de outras referências.

Há, no próprio deslocamento geográfico da obra, uma dimensão política: trazer para o centro da Europa uma imagem que remonta ao sul global, às lutas coletivas do presente e às potências simbólicas da terra. Barbosa costura imaginários, cruzando culturas, temporalidades e territórios, sem apagar as marcas de origem, mas justamente reafirmando-as como motor da criação.

Granatapfel. Foto: Priscila Barbosa
Granatapfel. Foto: Priscila Barbosa
Granatapfel. Foto: Priscila Barbosa

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A Aborda é uma plataforma inovadora dedicada à arte e cultura contemporâneas na América Latina. Nosso foco principal é a representação de artistas visuais, conectando-os ao mercado por meio de projetos artísticos que englobam fins culturais, educacionais e comerciais. Para falar sobre projetos ou adquirir obras de artistas representados, entre em contato por aqui.

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