A 2ª Bienal das Amazônias, em cartaz até 30 de novembro no Centro Cultural Bienal das Amazônias, em Belém (PA), propõe uma escuta entre geografias, corpos e histórias que atravessam o território pan-amazônico e caribenho. Inspirada no livro Verde Vagomundo, de Benedicto Monteiro, a edição intitulada Verde-distância pensa a floresta como espaço de encontro e multiplicidade.
Esse enredo curatorial, inspirado no livro de Monteiro, convida a deslocar olhares a partir do território amazônico — não apenas como paisagem, mas como experiência vivida, atravessada por fluxos, dissonâncias e afetos. É nesse contexto que se inscreve a participação de Wɨra Tini, artista representada pela Aborda. Sua presença — com obras que tomam o rio, os barcos, o lazer e o trabalho ribeirinho como matéria — torna-se interlocução direta com as camadas desse território em transformação.
A artista apresenta as obras Rodó, Na Beira da Amazônia e Amazônia Urbana, pinturas que traduzem a fluidez do Norte brasileiro em instantes de cor e movimento. Como o vai e vem dos barcos que cortam o rio, Tini observa e transforma em pintura as cenas do cotidiano de Manaus: o trabalho, o descanso, a convivência à beira d’água.
“Como o movimento fluvial do Norte do Brasil, em pinceladas de fluidez, Wɨra Tini captura instantes do cotidiano de Manaus. Em Rodó, Na Beira da Amazônia e Amazônia Urbana, Tini retrata cenas corriqueiras na beira do rio, com o protagonismo dos barcos como transporte. A artista é testemunha do trabalho e do lazer ali relacionados”, comenta Aline Moraes, curadora da Aborda.
As composições evocam a fotografia de rua pela espontaneidade do olhar, mas o gesto de Tini é de observação paciente. A pintura impõe um outro tempo: o da escuta e da escolha. Suas decisões nascem da convivência com o lugar e do olhar que insiste em permanecer. Assim, as obras nos convidam a imaginar as texturas do espaço: o calor, a umidade, o ranger da madeira de um barco, o barulho do mercado fluvial. Esse entrelaçamento entre a paisagem social e o corpo que resiste e habita o território torna-se o ponto de partida de sua investigação.
Sua pintura recusa o distanciamento e propõe uma aproximação — um modo de ver que integra o rio e a cidade, a memória e a vida em curso, como uma forma de registrar o que escapa à pressa e à distância com que muitas vezes se olha para o Norte. Inserindo essas paisagens humanas no contexto da Bienal, Tini amplia o entendimento sobre o que se convencionou chamar de arte amazônica.
Wɨra Tini é artista visual e apresenta em seu trabalho as perspectivas do povo Kokama, do qual é descendente, e da cultura nortista, conectando saberes tradicionais com experiências contemporâneas. Sua pesquisa evidencia diferentes concepções e diálogos em fricção com o senso comum, abordando questões ambientais, urbanas e identitárias. Natural de Manaus, já participou de diversas exposições e festivais de arte urbana em várias cidades brasileiras, além de desenvolver projetos em parceria com marcas e instituições. É idealizadora do Graffiti Queens, um dos primeiros festivais de arte urbana voltado para mulheres, e da Revista Graffiti Queens, publicação que apresenta importantes nomes da arte urbana nacional e internacional.
A Aborda é uma plataforma inovadora dedicada à arte e cultura contemporâneas na América Latina. Nosso foco principal é a representação de artistas visuais, conectando-os ao mercado por meio de projetos artísticos que englobam fins culturais, educacionais e comerciais. Para falar sobre projetos ou adquirir obras de artistas representados, entre em contato por aqui.
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