Filipe Grimaldi, Luna Bastos, Alberto Pereira e Priscila Barbosa participam da edição que marcou o retorno do festival ao Museu de Arte Moderna do Rio (MAM)
Cinco anos depois de sua última edição carioca, o ARTE CORE voltou a ocupar o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e os jardins do Aterro do Flamengo nos dias 29 e 30 de agosto. Criado em 2013 a partir da Homegrown, o festival nasceu do encontro entre arte urbana, skate e música e construiu, desde o início, uma relação particular com o MAM Rio: levar para dentro de um dos principais espaços institucionais da cidade práticas culturais que se desenvolveram nas ruas. A primeira edição, em 2013, já reunia grafite, exposições, skate e música nos jardins do museu.
Nesse intervalo, o skate tornou-se modalidade olímpica, artistas que trabalham a partir de referências urbanas ampliaram sua presença em museus, galerias e feiras, enquanto linguagens antes associadas sobretudo ao espaço público passaram a integrar também projetos de marcas, publicidade e moda. O ARTE CORE retorna, assim, a um cenário em que muitas das fronteiras que definiam esses campos se tornaram mais porosas, abrindo novas possibilidades de circulação para a produção artística.
Uma das novidades desta edição foi a Arte Craft, feira realizada na Varanda do MAM que reuniu artistas, coletivos, galerias, editoras e iniciativas independentes. A Aborda participou da programação com um stand próprio, realizado em parceria com a Suvinil e dedicado ao trabalho de Filipe Grimaldi. O artista produziu 50 placas para a ocasião, utilizando cores primárias e elementos relacionados à sua pesquisa sobre o letrismo vernacular sul-americano, e realizou uma pintura no próprio espaço com tintas e materiais fornecidos pela marca.
A participação da Aborda se estendeu ainda ao espaço da Ponte Cultural, que apresentou obras de Luna Bastos, Priscila Barbosa e Filipe Grimaldi dentro da Arte Craft. Filipe esteve, assim, em duas frentes da feira, com o stand realizado em parceria com a Suvinil e a obra BR, em esmalte sobre tela, apresentada pela Ponte Cultural.
Fora da feira, outros dois artistas da Aborda integraram a programação do festival. Luna Bastos realizou o mural Quantas faces de si em si mesma?, enquanto Alberto Pereira produziu três grandes painéis em lambe-lambe e conduziu a oficina Manual do Lambe-Lambe.
os realizou o mural Quantas faces de si em si mesma?, enquanto Alberto Pereira produziu três grandes painéis em lambe-lambe e conduziu a oficina Manual do Lambe-Lambe.
Fora da feira, Luna Bastos e Alberto Pereira levaram seus trabalhos para o espaço público. Luna realizou o mural Quantas faces de si em si mesma?, inspirado na produção e no pensamento da historiadora e intelectual Beatriz Nascimento. A obra parte de questões que atravessam sua pesquisa, como ancestralidade africana, identidade e memória, e ganha no mural uma escala diretamente relacionada à experiência urbana.
Alberto Pereira produziu três painéis em lambe-lambe, entre eles Dormir na sombra e pendurar as chuteiras e Cochiletivo, e conduziu a oficina Manual do Lambe-Lambe. A apropriação e a manipulação de imagens estão no centro de seu trabalho, que utiliza a técnica para deslocar significados e interferir na paisagem. Pereira também é criador da plataforma Lambes Brasil, dedicada à divulgação e à valorização de artistas que trabalham com essa prática no país.
Na Arte Craft, Priscila Barbosa apresentou Afronta, em acrílica sobre tela. A obra integra uma pesquisa dedicada às representações das mulheres e às relações entre gênero, memória, identidade e pertencimento.
A edição de 2026 também contou com o Portas Abertas, projeto com curadoria do coletivo Futuro Suburbano e criado a partir de um chamamento público exclusivo para artistas suburbanos cariocas. A iniciativa trouxe para a programação artistas de uma cena que nem sempre encontra acesso aos espaços centrais de circulação da arte.
A participação da Aborda nesta edição acontece nesse cenário de fronteiras cada vez mais móveis entre a rua, as instituições, o mercado e as marcas. Seus quatro artistas chegam ao festival por caminhos distintos, levando consigo pesquisas que continuam ligadas a repertórios e experiências da cultura urbana, mas que hoje encontram diferentes formas de circulação. É nessa passagem entre lugares, públicos e estruturas que parte importante da arte contemporânea brasileira vem construindo seus novos percursos.
A Aborda é uma plataforma inovadora dedicada à arte e cultura contemporâneas na América Latina. Nosso foco principal é a representação de artistas visuais, conectando-os ao mercado por meio de projetos artísticos que englobam fins culturais, educacionais e comerciais. Para falar sobre projetos ou adquirir obras de artistas representados, entre em contato por aqui.
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