A construção de uma carreira artística esteve entre os temas que mobilizaram a programação do Rio2C 2026. Em um momento em que a economia criativa amplia as discussões sobre sustentabilidade profissional, circulação de obras e novos modelos de atuação, o evento voltou a reunir artistas, pesquisadores, gestores e representantes de diferentes setores da cultura para refletir sobre os desafios que atravessam a produção contemporânea.
Foi nesse contexto que Carolina Herszenhut, diretora da Aborda, e o artista Filipe Grimaldi participaram da programação dedicada às artes visuais. Em duas mesas distintas, ambos contribuíram para discussões que, por caminhos diferentes, convergiram para uma mesma questão: quais estruturas tornam possível o desenvolvimento consistente de uma trajetória artística?
Na mesa Business of Art: Gerenciamento Estratégico de Carreira Artística, Carolina Herszenhut apresentou o modelo de gestão desenvolvido pela Aborda para acompanhar carreiras de artistas visuais. Partindo do conceito da Nova Jornada da Arte, a diretora discutiu a necessidade de compreender a carreira como uma construção contínua, que envolve pesquisa, posicionamento, planejamento e a criação de relações capazes de sustentar a produção artística ao longo do tempo.
Com mediação de Manuela Parrino, a conversa reuniu ainda René Machado e Filipe Grimaldi para discutir as transformações nas relações entre artistas, instituições, marcas e demais agentes do sistema da arte. Em pauta, estiveram os desafios da profissionalização do setor e as possibilidades de estabelecer parcerias que ampliem o alcance da produção artística sem deslocar a pesquisa de seu papel central.
A participação de Filipe Grimaldi trouxe ao debate um percurso que atravessa diferentes campos da produção contemporânea. Entre a pesquisa artística, os projetos desenvolvidos com marcas e instituições e o diálogo permanente com uma comunidade de mais de um milhão de seguidores, o artista refletiu sobre como essas experiências podem fortalecer o desenvolvimento de uma investigação autoral consistente.
Também no palco Arts & Crafts, Filipe Grimaldi participou da conversa Art Talks for Lunch: Alfabetos Visuais: A Tipografia como Objeto Artístico, mediada pela curadora Paula Mesquita. O encontro apresentou aspectos centrais da pesquisa que o artista desenvolve sobre o letrismo vernacular sul-americano e a cultura visual popular brasileira.
Ao longo da conversa, Grimaldi percorreu referências que atravessam sua produção, do desenho manual às inscrições presentes na paisagem urbana, mostrando como letras, placas comerciais e outras formas de escrita cotidiana podem ser deslocadas de sua função utilitária para constituir imagens carregadas de memória, repertório cultural e identidade visual.
Se a obra permanece o núcleo da prática artística, as discussões realizadas no Rio2C apontam para uma questão cada vez mais presente no campo da arte contemporânea: as condições que permitem sua continuidade. Entre a pesquisa desenvolvida no ateliê, os circuitos de circulação, as relações institucionais e os novos modos de interlocução com o público, a construção de uma carreira tornou-se também parte do debate sobre a própria produção artística.
A Aborda é uma plataforma inovadora dedicada à arte e cultura contemporâneas na América Latina. Nosso foco principal é a representação de artistas visuais, conectando-os ao mercado por meio de projetos artísticos que englobam fins culturais, educacionais e comerciais. Para falar sobre projetos ou adquirir obras de artistas representados, entre em contato por aqui.
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