Neste mês, a Avenida Paulista volta a se afirmar como território de encontro entre arte, cidade e debate público com a 11ª edição da Expo da Paulista, projeto que há mais de uma década inscreve a produção artística contemporânea na paisagem de um dos espaços urbanos mais emblemáticos do Brasil. Realizada anualmente no dia 1º de maio e desdobrada ao longo de todo o mês, a exposição consolida sua presença no calendário cultural paulistano ao transformar o fluxo cotidiano da cidade em campo de experiência estética, reflexão social e circulação ampliada de pensamento.
Nesta edição, a mostra reúne obras de Priscila Barbosa, artista representada pela Aborda, e de Xadalu Tupã Jekupé, artista indígena convidado, sob curadoria de Didiana Prata e Fernando Costa Netto. A proposta estabelece um diálogo entre diferentes perspectivas sobre o presente, articulando temas urgentes como direitos humanos, meio ambiente, memória, território, sustentabilidade e justiça social. Em sintonia com discussões centrais da agenda contemporânea, incluindo os atravessamentos sociais e ambientais evidenciados pela COP 30, a exposição reposiciona o espaço público como arena sensível para questões estruturais do nosso tempo.
A participação de Priscila Barbosa se dá por meio de 14 painéis inéditos desenvolvidos a partir do eixo curatorial “Direitos Humanos”. Sua intervenção insere na paisagem da Avenida Paulista uma pesquisa visual profundamente atravessada por questões de gênero, memória e pertencimento, campos centrais em sua trajetória. Ocupando o espaço urbano com imagens que tensionam repertórios históricos e simbólicos associados às mulheres, a artista projeta novas possibilidades de leitura sobre identidade, reivindicação e transformação social.
Sua prática artística busca ressignificar iconografias tradicionalmente atribuídas ao feminino, expandindo suas possibilidades políticas, culturais e afetivas. Em diálogo constante com memória coletiva, herança social e construção de pertencimento, Priscila articula pintura e ilustração em diferentes suportes para desenvolver obras que confrontam apagamentos históricos e elaboram perspectivas feministas comprometidas com novas formas de imaginar presença e representação.
Entre os desdobramentos da mostra, a visita guiada realizada em 18 de maio reforçou a dimensão educativa e relacional do projeto. Conduzida por Priscila Barbosa ao lado dos curadores, a atividade promoveu uma aproximação direta entre artista, obra e público, compartilhando processos criativos e aprofundando discussões sobre ativismo, espaço urbano e responsabilidade coletiva.
A presença de Priscila Barbosa nesta edição evidencia a potência da arte inserida no cotidiano urbano como linguagem de reflexão histórica e imaginação social. Em uma avenida historicamente associada à circulação, à manifestação e à disputa simbólica, sua obra inscreve novas possibilidades de leitura sobre o presente e contribui para fortalecer a arte contemporânea brasileira como prática ativa na construção de futuros mais conscientes.
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