A Mala Vermelha

Livro de Eva Uviedo transforma memória de exílio em narrativa para a infância

O que se pode levar quando já não é possível permanecer? Em A Mala Vermelha, Eva Uviedo parte dessa pergunta para conduzir uma história em que forma e conteúdo se organizam a partir da experiência da ruptura. Publicado pela Companhia das Letrinhas, o livro se ancora na trajetória de sua família para tratar, a partir do cotidiano, dos efeitos de um regime autoritário.

A história acompanha uma menina diante da necessidade de deixar o país onde vive. Seu cotidiano é composto por referências próximas: a casa, a família, os objetos, os vínculos que organizam a vida diária. A partida desloca esse conjunto. A mala que dá título ao livro concentra esse momento: escolher o que levar, reorganizar o que cabe, lidar com o que permanece fora. 

Memória, ficção e linguagem

A narrativa se constrói por meio de situações e imagens que conduzem o leitor sem recorrer a explicações diretas. Como observa a autora, “o livro tem um sujeito oculto; e sua falta, de certa forma, estrutura a narrativa”. Essa ausência atua como elemento organizador do texto, orientando o ritmo e a forma como os acontecimentos se apresentam.

O contexto histórico — a ditadura militar argentina iniciada em 1976, sob o comando de Jorge Rafael Videla — atravessa a história a partir do cotidiano da família. As decisões, os deslocamentos e as mudanças de ambiente revelam como esse cenário incide sobre a vida comum, sem necessidade de explicitação constante.

Nesse percurso, memória e ficção se articulam como formas de elaboração. Ao retomar a máxima de seu pai, o artista argentino Juan Uviedo, “a mentira é a estratégia da verdade”, Eva aponta para a ficção como um modo de organizar e comunicar experiências que não se encerram em um relato factual.

Voltado a leitores a partir de 6 anos, A Mala Vermelha se constrói na articulação entre texto e imagem, em que ambos participam diretamente da condução da narrativa.

Lançamento na Livraria da Vila

Antes de chegar às prateleiras, o livro teve uma circulação inicial em ambiente digital. O encontro presencial realizado em 29 de março, na Livraria da Vila, marcou a apresentação pública da obra em um espaço que historicamente abriga lançamentos relevantes da cena editorial e promove a aproximação entre autores e leitores.

Localizada na Vila Madalena, a livraria integra um circuito ativo de difusão literária na cidade de São Paulo, reunindo regularmente eventos que articulam literatura, ilustração e pensamento contemporâneo. Foi nesse contexto que Eva Uviedo apresentou A Mala Vermelha ao público, em um encontro que reuniu leitores, artistas e parceiros.

O livro pode ser adquirido no site da livraria. 

Crédito: Tiago Diel
Eva Uviedo e Carolina Herszenhut, diretora da Aborda

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