As ilustrações de Eva Uviedo integram o livro A Estufa e o Hematoma (Primavera Editorial, 2025), romance da escritora Silvana Guinalz. Ao longo da publicação, imagens e texto se articulam na construção da atmosfera que acompanha a trajetória da personagem Sebastiana, sobrevivente de uma tragédia que deixou marcas profundas em seu corpo e em sua memória.
Depois de deixar para trás uma cidade devastada pela mineração, Sebastiana se desloca para o interior da Amazônia. A mudança de território reorganiza sua relação com o passado, enquanto a floresta se impõe como presença física e simbólica na narrativa. Corpo, paisagem e lembrança passam a se entrecruzar no percurso da personagem.
As imagens criadas por Eva aparecem no livro em forma de ilustrações e vinhetas. Em vez de descrever episódios específicos da história, elas se aproximam do clima do texto, acompanhando suas variações de ritmo e de intensidade.
Segundo a artista, o processo começou ainda nas primeiras conversas com a autora.
“Na primeira conversa, a autora contou sobre o livro com tanta paixão que foi fácil mergulhar na narrativa. A intensidade do texto e a forma como aborda a Amazônia e o corpo feminino, em camadas de dor, memória e transformação, definiram o tom visual do projeto.”
A partir desse encontro inicial, Eva optou por trabalhar diretamente nas imagens finais, sem passar pela etapa de rascunhos.
“O processo partiu da escuta: compreender a respiração da escrita, o ritmo e a atmosfera que se tornam cada vez mais sensíveis e oníricos a cada página. A partir daí surgiu a proposta de dispensar os rascunhos e criar diretamente as ilustrações finais, o que abriu espaço para aquarelas mais livres, abertas ao acaso.”
Natural de Santa Fé, na Argentina, Eva Uviedo desenvolve uma pesquisa artística voltada às dimensões subjetivas da experiência, especialmente aquelas ligadas à memória, ao deslocamento e às formas de pertencimento. Em muitos de seus trabalhos, essas questões aparecem atravessadas por perspectivas feministas e por uma atenção constante às relações entre corpo e território.
Sua produção se constrói principalmente a partir de técnicas como aquarela, sumi-e e colagem. Esses procedimentos aparecem tanto em trabalhos autorais quanto em projetos realizados para o mercado editorial, comercial, publicitário e cenográfico.
Ao longo dos anos, a artista expandiu esse vocabulário para diferentes suportes, como papel, cerâmica, tecido, madeira e paredes, além da ilustração digital. Paralelamente, mantém uma presença constante na arte urbana, com murais realizados em espaços públicos.
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